terça-feira, 18 de setembro de 2012

[E.C] DEMOCRACIA ANTIGA E DEMOCRACIA MODERNA


DEMOCRACIA ANTIGA E DEMOCRACIA MODERNA


Qual a diferença entre a antiga liberdade democrática da antiga Grécia, mais especificamente em Atenas, e a liberdade democrática dita moderna? Vejamos. A liberdade dos antigos era participatória, uma liberdade republicana, a qual dava aos cidadãos o direito de influenciar diretamente as políticas por debates e votos em assembléia pública. Para poder suportar esse nível de participação, cidadania era uma obrigação moral pesada que requeria um considerável investimento temporal e energético. Geralmente, isso requeria uma sub-sociedade de escravos para fazer muito do trabalho produtivo, deixando os cidadãos livres para deliberar em questões públicas. A Liberdade dos Antigos também era limitada para sociedades relativamente pequenas e homogêneas, nas quais o povo podia se reunir convenientemente em um local para tratar de questões públicas.
A Liberdade dos Modernos, em contraste, era baseada na possessão de liberdades civis, na regência da Lei, e na proteção contra um excesso de interferência estatal. A Participação Direta seria limitada: uma consequência necessária do tamanho dos estados modernos, e também do resultado inevitável de se ter criado uma sociedade comercial na qual não há escravos mas quase todos têm de ganhar algo em troca de trabalho. Então diferente da primeira, os votantes elegeriam representantes, que deliberariam no Parlamento baseados na vontade popular e salvariam o povo da necessidade de envolvimento político diário.

Questões para reflexão:

1.    O que é o estado laico?
2.    O Brasil é um estado laico?
3.    Cite exemplos de países cujos estados não são laicos?
4.    Qual o contrário de estado laico?

[E.C] O BULLYING


O BULLYING


O BULLYING

O termo “Bullying” compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre elementos da mesma comunidade (colegas) e o desequilibro de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima da “brincadeira”, esta pode entrar em depressão.
Os agressores são indivíduos que têm pouca empatia. Frequentemente pertencem a famílias desestruturadas, nas quais não há relacionamentos afetivos entre os seus membros. Os pais exercem uma supervisão fraca sobre os seus filhos, toleram e oferecem modelos errados para solucionar conflitos ou comportamentos agressivos. Admite-se que os que praticam o “bullying“ têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo mesmo a tornarem-se criminosos. Os autores do “bullying“ são os alunos que só praticam “bullying“, são os agressores.
O bullying tem motivado pesquisadores, educadores de todas as áreas a estudar as causas que motivam a banalização humana e a perda coletiva de alguns valores sociais e do significado da palavra respeito no relacionamento entre colegas. Palavra inglesa para definir a forma intencional de maltratar uma outra pessoa.

PRÍNCIPAIS TIPOS DE BULLYING:

o          Físico (bater, chutar, beliscar, ferir, empurrar, agredir)
o          Verbal (apelidos, gozar, insultar)
o          Moral (difamar, caluniar, discriminar, tiranizar)
o          Sexual (abusar, assediar, insinuar, violar sexualmente)
o          Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir, ignorar, aterrorizar, excluir, humilhar)
o          Material (roubar, destruir pertences materiais e pessoais)
o      Virtual (insultar, discriminar, difamar, humilhar, ofender por meio da Internet e celulares)
o          Alvos de “bullying” - são os alunos que só sofrem “bullying”
o          Alvos\autores de “bullying” - são os alunos que ora sofrem, ora praticam “bullying”
o          Autores de “bullying” - são os alunos que só praticam “bullying”
o          Testemunhas de “bullying” - são os alunos que não sofrem nem praticam “bullying”, mas têm conhecimento dos envolvidos e convivem num ambiente onde isso ocorre
Efeitos sobre os Alvos incluem:
o          Depressão reativa, uma forma de depressão clínica causada por eventos exógenos
o          Stress de desordem pós-traumática
o          Torna-se também um agressor
o          Ansiedade
o          Problemas gástricos
o          Dores não especificadas
o          Perda de auto-estima
o          Medo de expressões e emoções
o          Problemas de relacionamento
o          Abuso de drogas e álcool
o          Auto-mutilação
o          Suicídio (também conhecido como bullycídio)

EFEITOS NUMA ESCOLA INCLUEM:

o          Níveis elevados de faltas escolares (absentismo)
o          Alto nível de faltas indisciplinares por males menores
o          Desrespeito pelos professores
Como agir com uma vítima de BULLYING?
o          Saiba que ele(a) está a precisar de ajuda
o          Não tente ignorar a situação
o          Procure manter a calma
o          Mostre que a violência deve ser evitada
o          Não o agrida ,nem o intimide
o          Mostre que sabe o que está a acontecer Converse com ele
o          Garanta a ele que o quer ajudar
o          Tente identificar algum problema atual
o          Com o consentimento dele tente entrar em contacto com a Escola
o          Procurar auxiliá-lo a encontrar meios não agressivos
o          Encoraje-o a pedir desculpa ao colega que agrediu
o          Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele se possa sair bem para elevar a sua auto-estima

CYBERBULLYING

COMO ENCARAR O CYBERBULLYING

o          Criar e manter um clima de comunicação aberta e conversas regulares sobre a Internet e as tecnologias, em vez de esperarem e apenas abordar o assunto quando ocorrer algum problema;
o          Encorajar as crianças/jovens a falar sobre os problemas com que se confrontam na Internet ou com outras tecnologias, como por exemplo os celulares e escutarem o que as crianças/jovens nos dizem;
o          Explicar às crianças e aos jovens que se forem vítimas de Cyberbullying a culpa não é deles;
o          Sublinhar que pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, mas uma forma de afirmação que envia uma mensagem ao agressor que o seu tipo de comportamento não será tolerado e que não lhe será permitido continuar.
Como Prevenir o Cyberbullying
o          Eduque-se a si, aos colegas e alunos sobre como usar as tecnologias de informação e comunicação de forma ética, responsável e segura;
o          Eduque as crianças/jovens sobre os riscos de colocarem fotografias, vídeos e outros dados pessoais online que possam ser usados pelos seus colegas para atos de Cyberbullying;
o          Preste atenção aos que os seus colegas ou discentes lhe dizem sobre potenciais casos de Cyberbullying e não se limite a subestimar, criar falsos sentimentos de segurança ou até ignorar as situações que lhe são reportadas (por exemplo, “limita-te a ignorar”, “não leves isso a sério”, etc.);
o          Não reaja intempestivamente para proteger a criança/jovem. Por exemplo, não se ajuda uma vítima castigando-a. Se a criança é vítima de Cyberbullying, não lhe retire o direito de acesso ao computador ou à Internet;
o          Caso os seus colegas/alunos sejam vítimas de Cyberbullying, deixe claro que trabalhará com a criança/jovem para encontrar uma solução;
o          Monitorize a utilização das tecnologias de informação e comunicação pelas crianças e jovens a seu cargo. Faça-o escolhendo criteriosamente o local e o posicionamento do computador. Evite as áreas isoladas (quartos de crianças/jovens), preferindo os espaços de maior circulação.

[FILOSOFIA] - Parmênides de Eléia


PARMÊNIDES DE ELÉIA

Retirado de O Mundo de Sofia.


Os três filósofos de Mileto acreditavam num – e apenas num elemento primordial, a partir do qual todas as outras coisas eram criadas. Mas como poderia uma substância transformar-se de repente e tornar-se uma coisa completamente diferente? Podemos designar este problema pelo problema do devir (vir-a-ser).
A partir de aproximadamente 500 a.C. viveram na colônia grega de Eléia, na Itália  meridional, alguns filósofos, e estes "eleatas" tratavam destes problemas. O mais conhecido de entre eles era Parmênides (aproximadamente 540-480 a.C.).
Parmênides acreditava que tudo o que existe, existiu sempre. Esta idéia estava bastante difundida entre os Gregos. Tinham  como evidente que tudo o que há no mundo existiu desde sempre. Do nada, nada pode nascer, pensava Parmênides. E nada do que existe pode tornar-se nada.  Mas Parmênides foi mais longe que a maior parte dos outros.
Para ele, não era possível nenhuma verdadeira transformação. Uma coisa só se pode transformar naquilo que já é. Parmênides não tinha dúvidas de que na natureza se dão constantemente transformações. Os seus sentidos apercebiam-se do devir das coisas. Mas não conseguia fazer coincidir o que os seus sentidos registravam com o que a razão lhe dizia. Quando foi obrigado a decidir se devia confiar nos sentidos ou na razão, decidiu-se pela razão. Conhecemos a frase: "Só acredito naquilo que vejo."
Mas Parmênides nem sequer acreditava no que via. Pensava que os sentidos nos forneciam uma imagem falsa do mundo, uma imagem que não coincidia com o que a razão diz aos homens. Enquanto filósofo, encarava a sua tarefa como o desmascarar de todas as formas de "ilusões sensoriais".  Esta forte confiança na razão humana é designada “racionalismo”. Um racionalista é uma pessoa que tem uma grande confiança na razão humana, como fonte do nosso conhecimento sobre o mundo.  

[FILOSOFIA] Epicuro de Samos


EPICURO DE SAMOS


"Cerca do ano 300 a.C., “Epicuro” (341-270 a. C.) fundou em Atenas uma escola de filosofia. Desenvolveu a ética do prazer e, segundo se diz, os epicuristas reuniam-se num jardim. Por isso, foram também designados "filósofos do jardim". Por cima do portão do jardim diz-se que estaria escrito: "Estranho, aqui serás feliz. Aqui, o prazer é o bem supremo". Epicuro esclareceu que o resultado agradável de uma ação tem de ser sempre confrontado com os seus eventuais efeitos secundários. Se alguma vez comeste chocolate a mais, percebes o que eu quero dizer. Caso o não tenhas feito, proponho-te o seguinte trabalho de casa: pega no teu mealheiro e compra cem coroas de chocolate. (Suponho que gostas de chocolate.) Nesta tarefa, o importante é comeres todo o chocolate de uma vez. Cerca de meia hora depois de teres comido esse excelente chocolate, compreenderás o que é que Epicuro queria dizer com "efeitos secundários". Epicuro pretendia confrontar um resultado agradável, em curto prazo, com um prazer maior, mais duradouro ou intenso em longo prazo. (Podemos, por exemplo, imaginar que decides não comer chocolate durante um ano porque preferes poupar todo o teu dinheiro para uma bicicleta nova ou para uma viagem ao estrangeiro.) Ao contrário dos animais, o homem tem a possibilidade de planear a sua vida, tem a capacidade de fazer um "cálculo dos prazeres". O chocolate é naturalmente um valor, mas a bicicleta e a viagem para Inglaterra também o são. Mas Epicuro também sublinhava que "prazer" não era necessariamente o mesmo que prazer físico - por exemplo, chocolate. Também a amizade e a contemplação de uma obra de arte podem ser agradáveis. Uma condição para a fruição da vida são também antigos ideais gregos como o autodomínio, a temperança e a serenidade, porque a concupiscência tem de ser refreada. Deste modo, a serenidade também nos ajudará a suportar a dor. Os freqüentadores do jardim de Epicuro eram principalmente homens atormentados com angústias de natureza religiosa. Neste sentido, a teoria atomista de Demócrito era um remédio útil contra a religião e a superstição. Para termos uma vida feliz, é bastante importante superarmos o medo da morte. Nesta questão, Epicuro recorre à teoria de Demócrito sobre os "átomos da alma". Talvez te lembres que Demócrito não acreditava na vida além da morte porque os "átomos da alma" se dispersavam em todas as direções. "Porque é que haveríamos de ter medo da morte?", perguntava Epicuro. Porque enquanto existimos, a morte não está aqui, e logo que ela vem, nós não existimos." (Com  efeito, nunca um homem se afligiu por estar morto). O próprio Epicuro resumia a sua filosofia libertadora através daquilo “a que chamou o remédio quádruplo: Não precisamos temer os deuses. Não precisamos de nos preocupar com a morte. É fácil atingir o bem. O mal se suporta facilmente”. Na Grécia, não era uma novidade comparar a tarefa do filósofo à do médico. Segundo Epicuro, o homem deve munir-se de uma "farmácia portátil filosófica" que, como dissemos, contém quatro medicamentos importantes. Ao contrário dos estóicos, os epicuristas interessavam-se pouco por política e pela sociedade. "Vive escondido!" era o conselho de Epicuro. Podemos talvez comparar o seu jardim com o modo de viver de algumas comunidades de hoje. Também no nosso tempo muitos procuram um lugar onde se possam refugiar para fugir à sociedade. Após a morte de Epicuro, muitos epicuristas orientaram-se apenas no sentido de uma busca constante de prazeres. O seu mote passou a ser: "vive o momento!". O termo "epicurista" é hoje aplicado pejorativamente a uma pessoa que vive apenas para o prazer."  

Retirado de O Mundo de Sofia.

Questões:

O que é o Tetrapharmakon?
Por que o prazer (na medida certa) é a finalidade da felicidade epicurista? 
O que é o hedonismo? Por que a palavra tornou-se pejorativa?

[FILOSOFIA] Marx e a religião


A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO – KARL MARX

O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. "É o ópio do povo." Você vai perceber de imediato duas coisas. Primeiro, Marx não diz que a religião é o narcótico, o entorpecente do povo, mas sim que é o ópio -- um narcótico específico. Caracterizar a religião como uma droga que anestesia a dor, por mais chocante que seja para muitos, hoje, foi ainda mais radical em sua época. E no entanto, mais do que condenando a religião em si, Marx na verdade estava criticando a condição de uma sociedade que levaria as pessoas a um entorpecimento. De qualquer modo, a partir daí, não paramos de ouvir as críticas aos comunistas sem Deus, implicando que o pensamento marxista não tem valores nem moralidade. Isso não é bem verdade. O que Marx queria dizer é a religião funciona no sentido de pacificar os oprimidos; e a opressão é definitivamente um erro moral. A religião -- dizia ele -- reflete o que falta na sociedade; é uma idealização das aspirações do povo que não podem ser satisfeitas de imediato. As condições sociais da Europa nos meados do século passado tinham reduzido os trabalhadores a pouco mais que escravos; as mesmas condições produziram uma religião que prometia um mundo melhor na outra vida. Ainda segundo Marx, a religião não é apenas uma superstição ou uma ilusão. Ela tem uma função social: distrair os oprimidos da realidade de sua opressão. Enquanto os explorados e espezinhados acreditarem que seus sofrimentos lhes granjearão liberdade e felicidade no futuro, estarão considerando a opressão como parte de uma ordem natural -- um fardo necessário e não uma coisa imposta pelos outros homens. É isso o que Marx queria dizer ao chamar a religião de "ópio do povo": ela alivia sua dor, mas ao mesmo tempo, torna-os indolentes, nublando sua percepção da realidade e tirando-lhes a vontade de mudar. O que Marx queria? Ele queria que as pessoas abrissem os olhos para as duras realidade do capitalism0 burguês do século dezenove. Os capitalistas estavam extraindo mais e mais lucros a partir do trabalho do proletariado, ao mesmo tempo que "alienavam" os trabalhadores de sua auto realização. O que os trabalhadores mereciam, e poderiam obter se acordassem de sua sonolência, era o controle de seu próprio trabalho, a posse do valor que geravam com esse trabalho e, conseqüentemente, auto estima, liberdade e poder. Para atingir esse fim, Marx clamava pela "abolição da religião como felicidade ilusória do povo." Ele queria que eles buscasse a "felicidade real", que na filosofia materialista de Marx era a liberdade e a realização neste mundo. Já que os ricos e poderosos não iriam entregar isso de graça, as massas teriam de tomá-lo. Daí, luta de classe e revolução.

[FILOSOFIA] Xenófanes de Cólofon


XENÓFANES DE CÓLOFON [570 a.C – 470 a.C]

O período pré-socrático é o período das origens da filosofia grega. Período no qual o homem procura explicar o cosmos e toda natureza se distanciando das narrativas míticas já inculcadas pela tradição de Homero (Ilíada e Odisséia) e Hesíodo (Teogonia). A marca distintiva do período é a mudança de perspectiva perante o cosmo, o que antes era uma cosmogonia passa a ser uma cosmologia em que a physis (natureza, ordem do cosmos) passa a ser protagonista. Em outras palavras, a razão e não o mito é o parâmetro para a explicação. Xenófanes de Colofon se encontra nesse momento histórico. Xenófanes foi um grande crítico da tradição homérica, tornando-se um polêmico reformador religioso. Era completamente contra o antropomorfismo divino (quando os deuses têm forma de homem). Como pode deus ser deus quando se comporta como um mortal? Seria a inveja, a ira e os ciúmes predicados divinos? Foi um forte defensor da unicidade divina. “Se deus existe, ele é um só.” Xenófanes teve enorme influência no desenvolvimento religioso posterior. Além do mais, satirizou tanto os heróis dos jogos olímpicos quanto os deuses. Os primeiros, objetou lhes que as vitórias esportivas fossem superestimadas em comparação com as conquistas intelectuais; aos últimos, que seus mitos estivessem contaminados de imoralidade. Seguindo a lógica de Xenófanes, uma série de pensadores posteriores questionarão: é o homem é a imagem e semelhança de deus ou deus é a imagem e semelhança do homem? Acompanhe os fragmentos abaixo:

FRAGMENTOS DE XENÓFANES

1 - Tudo aos deuses atribuíram Homero e Hesíodo, tudo quanto entre os homens merece repulsa e censura, roubo, adultério e fraude mútua.
2 - Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões e pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens, os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois, desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm.
3 - Mas os mortais acreditam que os deuses são gerados, que como eles se vestem e têm voz e corpo.
4 - Os egípcios dizem que os deuses têm nariz chato e são negros, os trácios, que eles têm olhos verdes e cabelos ruivos.
5 - Um único deus, entre deuses e homens o maior, em nada no corpo semelhante aos mortais, nem no pensamento.

QUESTÕES

1 – Por que Xenófanes é considerado um polêmico reformador religioso?
2 – Por que era considerado um sátiro?
3 – O que criticava Xenófanes na religião grega de sua época?

[FILOSOFIA] Heráclito de Éfeso


HERÁCLITO DE ÉFESO [535 a.C – 475 a.C]

Prof. Raphael Douglas.


Tudo passa, nada permanece. O que existe está em constante mudança. A essência do mundo é a impermanência, tudo muda o tempo todo. Essa é a fórmula filosófica de Heráclito de Éfeso, importante filósofo pré-scrático. Para ele, tudo o que existe está em permanente transformação, influência direta na teoria evolucionista. A essa incessante alteração deu o nome de DEVIR. O mundo, segundo Heráclito, é um fluxo permanente em que nada permanece idêntico a si mesmo. Isso explica por que sua mãe, ao consultar antigos álbuns de família, pode se auto-estranhar e se questionar: “MEU DEUS, EU ERA ISSO?” Tudo se transforma no seu contrário. A guerra é mãe e rainha de todas as coisas. É da luta entre os contrários, ou seja, do devir, do tornar-se, do vir-a-ser, que eles se harmonizam numa unidade. O mundo é uma constante guerra entre os opostos. Conhecemos o doce dado que sabemos o que é o salgado. A felicidade só pode existir uma vez que experimentamos a tristeza. A claridade tem sua existência garantida já que o escuro também existe. “Tudo Flui”, afirmava Heráclito. Nossa existência necessariamente obedece à etapas. Só podemos nos tornar crianças na medida em que o bebê é negado. O adolecente que seremos só poderá contrair existência quando negarmos a criança atual e assim por diante. A esse constante movimento de negação e contradição, chamamos de DIALÉTICA. É o que leva Heráclito a afirmar que “é impossível entrar duas vezes no mesmo rio”. Essa frase pode ser verdade em Recife, cujo Rio Capibaribe, extremamente poluído, pode te matar num único pulo. Mas o que Herácito quer dizer mais profundamente é que ao entrarmos num rio não nós será possível viver aquele momento novamente. Ao voltarmos, as águas já não serão as mesmas e nem nós seremos os mesmos. Afinal, a cada segundo, milhões de nossas células morrem e outras milhões nascem. Heráclito pode nos ser uma bela lição de como suportar o inevitável fim, a famosa finitude. Mesmo sabendo que tudo um dia termina, experimentar o fim e suas consequências não é lá nada tão fácil como nas fórmulas lógicas. Lógico que enquanto duram, as coisas "não acabam". Um viva à falsa sensação de eternidade! É triste, mas o sorriso da sua mãe um dia acaba, o melhor amigo um dia muda de cidade ou enjoa de ser SEU amigo, toda espera tem termo, aquela obturação feita há uma década cai, a música que te dá comprazimento estético dura em média cinco minutos, a dor - por mais aguda que seja - passa. A vontade, seja lá qual for o objeto, quando satisfeita, finda e recomeça. O Parthenon um dia vai cair assim como o eterno Império Romano caiu. A terra que sempre foi o centro do universo levou uma patada tripla com Copérnico, Kepler e – finalmente - com Galileu e uma revolução (que já passou) foi realizada. O conselho que pode ficar para nós pode ser resumido. Existir é entrar num rio cujo final é inevitavelmente uma cachoeira de 1.000 metros de altura: sem dúvida se despencará, mas se você tiver remos para manobrar nas partes mais lodosas evitarás que a caminhada acabe antes do tempo numa colisão de frente com uma pedra, um tronco ou num encontro com diversos predadores. E, sabendo remar sozinho, se conhecerão caminhos mais autênticos, mesmo que não sejam os mais cômodos e os que todos aqueles que não possuem remos seguem de maneira inadvertida e guiados por todos, por ninguém.